quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Professores nas novelas

A revistapontocom (no link abaixo)conversou com Jô Levy, professora do curso de comunicação social (habilitação em audiovisual) da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e coordenadora pedagógica do projeto Telinha de Cinema (http://casadaarvore.art.br)que fez uma pesquisa interessante sobre personagens professores nas novelas. Em 2006, a pesquisadora fez as contas: das 567 telenovelas produzidas de 1951 a 2006, 31 apresentaram personagens professores. “Professores estereotipados”. Diz a professora: "Uma galeria de tipos. Especificamente nas telenovelas, de forma mais recorrente observo sete tipos: o atrapalhado, o arcaico, o objeto de desejo, a pura e casta, o show men, os malditos e os heróis e heroínas. Cheguei a esta classificação fazendo um levantamento num universo de 567 telenovelas brasileiras, produzidas desde 1951, quando foi ao ar a primeira, até 2006, ano da pesquisa de mestrado que realizei pela Universidade Federal de Goiás. A presença desses tipos confirma o que talvez supomos como espectadores, isto é, a presença de estereótipos na composição dos personagens.

Eis a descrição dos tipos que encontrei:

- O atrapalhado – Intelectual tímido e atrapalhado, tão dedicado aos livros que relega sua sexualidade a um plano secundário. Exemplo: Caio Szemanski, interpretado por Antônio Fagundes em Rainha da Sucata (Rede Globo/1990).

- O arcaico – São homens que demonstram erudição e austeridade. Postados no alto patamar do saber, são inacessíveis. O “arcaico” é um típico professor da pedagogia tradicional, em que a centralidade do ensino está no mestre. Exemplo: Professor Astromar, interpretado pelo ator Ruy Resende em Roque Santeiro (Rede Globo/1986).

- O objeto do desejo – São os que involuntariamente ou não despertam a paixão de seus alunos. Poderia ser identificada, nessa categoria, as seguintes personagens: Lu (interpretada por Leila Lopes, em Renascer. Rede Globo/1993), Mariquinha (interpretada por Carolina Kasting, em Cabocla. Rede Globo/2004), Clotilde (interpretada por Maitê Proença, em O Salvador da Pátria. Rede Globo/1989) e Raquel (interpretada por Helena Ranaldi, em Mulheres Apaixonadas. Rede Globo/2003). Não só mulheres se enquadram nesse perfil, mesmo personagens masculinos fazem esse tipo.

- A pura e casta – É o estereótipo da mulher bonita, meiga e feliz, indiferente ao contexto político e econômico do qual faz parte. Nessa perspectiva, a escola é uma extensão da casa e a docência uma consequência natural do “ser mulher”. Uma professora assim, dificilmente estará desenvolvendo algum trabalho científico, investindo no seu aperfeiçoamento profissional ou pleiteando melhores condições de trabalho. Exemplo: Márcia, interpretada por Malu Mader, em O dono do mundo (Rede Globo/1991) e Helena, interpretada por Gabriela Rivero, em Carrosel (SBT/1991).

- O show men – Esses professores tornam a aula um momento de mise-en-scène, personificando um ensino que visa muitas vezes ao espetáculo e nem sempre à reflexão. Na vida real, esse perfil encontra expressão entre os professores de cursos preparatórios para o vestibular e concursos. Exemplo: Rubinho, interpretado por Luís Melo em Cara & Coroa (Rede Globo/1995) e Afrânio, interpretado por Charles Paraventi em Malhação (Rede Globo/2005).

- Os malditos – Não é comum um personagem-professor fazer o “tipo maldito”, até porque se pressupõe que o docente represente um modelo de conduta a ser seguido pelos alunos. Exemplo: Santana, alcoólatra interpretada por Vera Holtz em Mulheres Apaixonadas (Rede Globo, 2003) e May, prepotente e antiética, interpretada por Camila Morgano em América (Rede Globo, 2005).

- Heróis e heroínas – São protagonistas nas tramas e o ofício da docência é um elemento constitutivo da caracterização do personagem, além de ser relevante no desenrolar do enredo. Exemplo: Fábio, interpretado por Nuno Leal Maia em A Gata Comeu (Rede Globo/1985), Clotilde, interpretada por Maitê Proença em O Salvador da Pátria (Rede Globo/1989) e Eduardo, interpretado por Fábio Assunção em Coração de Estudante (Rede Globo/2002).

http://www.revistapontocom.org.br/entrevista/professores-nas-telenovelas

Nenhum comentário:

Postar um comentário