quarta-feira, 30 de novembro de 2011

UNICEF lança relatório


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou hoje o relatório Situação da Adolescência Brasileira 2011 – O direito de ser adolescente: Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades.

O relatório analisa a situação de meninas e meninos de 12 a 17 anos a partir de 10 indicadores sociais e da sua evolução entre 2004 e 2009. O documento também traz uma análise das políticas públicas desenvolvidas no Brasil, aponta os principais avanços e desafios e propõe um conjunto de ações imediatas a ser tomadas para garantir a realização dos direitos de todos e de cada adolescente.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Relatório abordará prisão perpétua para crianças

"Há caminhos pouco conhecidos, quase nunca divulgados, no estilo de vida americano, o famoso american way of life, enaltecido por alguns basbaques dos trópicos.
Um deles é tema do relatório que a Anistia Internacional divulgará, no dia 30 de novembro, que trata das sentenças de prisão perpétua para crianças, sem direito
à liberdade condicional.

É o único país do mundo a impor essa pena a crianças com até 11 anos de idade.
Pelos números da Anistia há perto de 2,5 mil prisioneiros cumprindo essa sentença,
que não considera atenuantes como histórico de abuso ou trauma, grau de envolvimento no crime e saúde mental, entre outras.

Após o dia “11 de setembro” de 2011, marcado pelos atentados às Torres Gêmeas em Nova York, a legislação dos EUA ganhou mais traços de barbaridade ao admitir tortura em interrogatórios de acusados por crimes de terrorismo.

Fica mais compreensível, sem que isso amenize, a linha de crueldade da
punição a crianças envolvidas alcançadas por essa legislação.
Tio Sam é um velhinho reacionário e implacável."

Na revista Carta Capital desta semana.

Direito dos adolescentes



O livro ao lado será lançado em Porto Alegre, no dia 2 de dezembro a partir das 19 horas na Saraiva da Praia de Belas Shopping.


Em Brasília o lançamento será na Conferência de Assistência Social no dia 9 de dezembro.


Por meio da argumentação jurídica a autora se propõe a "tornar visíveis as peculiaridades que caracterizam os adolescentes, seja do ponto de vista geracional, sociocultural ou normativo."


sábado, 19 de novembro de 2011

Cresce a participação de jovens árabes




Mais trechos do relatório:

" Pesquisas recentes mostram que a juventude na região árabe dá um grande valor à democracia (93% dos jovens acham a democracia importante na Jordânia,84% no Egito, 85% no Marrocos, 91% no Iraque e 75% nos Emirados Árabes Unidos), e que a maioria dos jovens árabes de 18-24 anos querem ter o direito de voto. Jovens palestinos estão mais politizados e de uma forma mais ativa do que a maioria dos jovens de outros países árabes, especialmente desde o surgimento das gerações da primeira e segunda intifadas na década de 1980 e 90.

A esfera pública de ativismo social e político continua fortemente dominado pelos homens e a ausência de mulheres em movimentos tradicionais continua a ser óbvia. No entanto, em alguns casos, as mulheres jovens estão se tornando mais ativas,e muitas vezes lideram movimentos sociais, ambiental ou mudanças políticas, particularmente em países como o Líbano, Jordânia, Egito, Marrocos e Kuwait. Alguns esforços (como o movimento pelo direito de voto das mulheres no Kuwait ou o pela mudança do status das mulheres no direito de família em Marrocos) conseguiu um grande repercussão. Acesso a computadores domésticos e telefones celulares tornou-se mais generalizado, e o cyber-espaço está ajudando a diminuir as desigualdades de gênero na esfera púbica. Na verdade, as jovens árabes não precisam sair de casa ou ter a permissão do dos homens para tornar-se ativamente engajadass na discussão pública e na formação de opinião."


Link para o relatório:

http://www.unicef.org/media/files/Summary_Report_A_GENERATION_ON_THE_MOVE_AUB_IFI_UNICEF_MENARO_.pdf



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Adolescentes e jovens árabes e do norte da Africa

Os levantes políticos atuais em diferentes países árabes com todas as demandas por 'dignidade', 'liberdade' e 'cidadania e direitos', que se traduziram em chamadas específicas para mudanças constitucionais para garantir a igualdade de direitos entre todos os cidadãos, e para minimizar o abuso de poder governamental, inspiraram o UNICEF em parceria com a American University of Beirut-Issam Fares Institute a apresentar o relatório "Uma geração em movimento: Percepções sobre as condições, aspirações e ativismo da juventude árabe". Veja abaixo alguns dados apresentados no relatorio?
• O maior número de adolescentes fora da escola na Região Árabe podem ser encontrados no Sudão e Iêmen, além disso, um número significativo de crianças fora da escola ainda são encontrados na Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Iraque. Mais de 58 por cento das crianças em idade escolar não estão matriculadas na escola na região árabe, eram meninas e 53 por cento deles, em comparação com 39 por cento dos meninos fora da escola.
• No Egito, apenas 23 por cento da população pobre concluíu o ensino básico e apenas 12 por cento concluíram o ensino secundário.
• A taxa de escolarização bruta secundária é baixa na região - em 68 por cento (71 por cento meninos e 65 por cento para as meninas).
• As taxas de abandono permanecem significativos em alguns países. As mais baixas taxas de escolarização líquida secundária (anos 2005-2009) são encontrados no Sudão (17 por cento - os meninos; 22 por cento de meninas); Iêmen (48 por cento - os meninos; 27 por cento - as meninas) e Marrocos (39 por cento-meninos ; 36 por cento - as meninas.
• A diferença entre os sexos nas taxas de alfabetização da população adulta é de 18 pontos percentuais, enquanto ele está a apenas 7 pontos percentuais para a população jovem (15-24 anos). No Iêmen, estima-se que 906 mil crianças estejam fora da escola.
• As taxas de desemprego dos jovens da região (15-24 anos) são as mais altas do mundo, especialmente para as mulheres jovens. Juventude nos Estados Árabes compõem um terço da população em idade ativa na região, mas eles são responsáveis ​​por até metade do desemprego total. A OIT estimou o desemprego dos jovens na região, 22,1 por cento em 2008.
• Mesmo trabalhando a juventude luta para sair da pobreza. Quase 40 por cento dos jovens empregados estão vivendo com menos de 2 dólares por dia.
• A região tem a maior desigualdade de gênero nas taxas de desemprego entre os jovens no mundo. Jovens mulheres tinham mais probabilidade de estar desempregadas do que os homens jovens (1 em cada 3 mulheres em comparação com 1 em cada 5 homens). Em 2010, as meninas (15-24) tiveram a menor taxa de participação (21,5 por cento) na força de trabalho de qualquer região do mundo.

O relatório "Uma geração em movimento*: Percepções sobre as condições, aspirações e ativismo da juventude árabe" esta sendo apresentado hoje em Beirute no Libano. Assim que o link estiver disponivel informaremos.

* Talvez a melhor tradução seja " em mudança"

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ato público contra o extermínio de adolescentes e jovens no ES

O Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) promove, no próximo dia 21 de novembro, a IV Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra. O protesto acontece durante a Semana da Consciência Negra, que se inicia no domingo (20).

O Fejumes alerta que o Espírito Santo detém a segunda maior taxa de homicídios do país, com média de 50 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. As principais vítimas dessa violência são os jovens negros moradores das comunidades pobres.

Luiz Inácio, coordenador do Fejunes, acredita que a manutenção deste quadro está ligada à ausência de políticas públicas de prevenção. “Essa situação evidência a ausência de medidas que possam garantir novas perspectivas na vida da juventude. Precisamos de políticas efetivas voltadas a assegurar os nossos direitos”, sugere.

Segundo Luiz Inácio, a marcha pretende cobrar novamente do governo Casagrande a adoção de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e à juventude. “Já se passou quase um ano de Governo e até agora Casagrande não se manifestou sobre a Lei 7.723/04, que institui as políticas de promoção da igualdade racial no Espírito Santo. O movimento negro aguarda uma agenda com o governador desde o início do seu mandato”, cobra Luiz Inácio.

Em relação às políticas públicas de juventude, apesar do governador ter recebido pessoalmente dos movimentos juvenis uma pauta com diversas reivindicações durante o encerramento da Marcha Capixaba Contra a Violência e o Extermínio de Jovens, ocorrida no último dia 30, em Vitória, até agora, segundo Luiz Inácio, não houve nenhum diálogo sobre as propostas.

“Conforme prometido pelo governador, estamos aguardando desde o dia 30 um contato para tratarmos das ações voltadas à juventude. Até o presente momento nenhum telefonema foi dado”, protesta.

Os movimentos propõem a criação de uma secretaria e de um conselho de juventude e a aprovação de um plano com diversas ações especificas para o segmento.

A concentração da marcha será a partir das 8 horas, no início da avenida Jerônimo Monteiro e o encerramento será em frente ao Palácio Anchieta, com um ato público.

Violência afeta principalmente jovens

Acaba de ser publicado um documento com o título: Porque investir na prevenção contra a violência?

Globalmente, 1 em cada 5 mulheres e 1 em cada 10 homens são vítimas de violência sexual em infância (Conforme estimativa da OMS-ISPCAN). O Estudo Multi-países em
Saúde da Mulher e Violência Doméstica Contra a Mulher descobriu que a proporção de mulheres que já sofreram violência física ou sexual, ou ambos, por um
parceiro íntimo na vida, variou de 15% para 71%. Cada ano, mais de 16 milhões de pessoas recebem tratamento médico por serem vítiams de violência. Para pessoas com idade entre 15-44 anos, o homicídio e o suicídio estão entre as cinco primeiras
causas de morte. A maioria das mortes devido à violência ocorrem em ambientes que estão em paz, e a maioria dos agressores são pessoas que estão próximas à vítima, como pais, parceiros íntimos, amigos. Além de provocar mortes, a violência tem como conseqüências significativas não fatais: traumatismos e incapacidades, saúde mental e conseqüências comportamentais,conseqüências para a saúde reprodutiva, as consequências de saúde, e o impacto da violência sobre o tecido social. Juntos, estes fatores, corroem o capital social e intelectual e minam desenvolvimento humano e econômico.

Violence Prevention Alliance and Education Development Center. Why
invest in violence prevention? Geneva, Switzerland, and Newton USA, VPA and EDC, 2011.
November 2011

Infância na Amazônia - desafios do tamanho da região

Com 34 milhões de habitantes em nove países, a Amazônia tem indicadores sociais ainda distantes dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). A avaliação considera indicadores de nove países que compartilham a floresta: o Brasil, a Bolívia, Colômbia, o Equador, Peru, a Venezuela, o Suriname, a Guiana e a Guiana Francesa e está no relatório A Amazônia e os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.

A pesquisa foi organizada pela Articulação Regional Amazônica (ARA) e divulgada durante o encontro Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia, organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio propõem metas para melhorar indicadores de pobreza, educação, saúde, desigualdade de gênero, mortalidade infantil e materna e de meio ambiente. Estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, os ODM têm metas a serem cumpridas até 2015.

Desde a década de 1990, a Amazônia registrou melhoria na maioria dos indicadores, mas os avanços não foram significativos e ainda deixam os índices regionais abaixo das médias nacionais. Dos oito objetivos estabelecidos até 2015, apenas um já foi alcançado na parte amazônica de todos países analisados no estudo: a eliminação da desigualdade de escolaridade entre homens e mulheres.

“Faltam poucos anos para o prazo estabelecido pela ONU para o cumprimento das Metas do Milênio e ainda há muito trabalho para que sejam cumpridas na Amazônia. Há muita diferença de resultados entre os países que compõem a Amazônia, assim como variações internas”, diz o relatório.

Com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 330 bilhões, a região abriga desigualdades e desafios que dificultam a superação da pobreza, uma das principais metas da ONU. De acordo com o estudo, cerca da metade da população que vive na região amazônica desses países encontra-se abaixo da linha de pobreza, com situação crítica no Equador e na Bolívia.

“A Amazônia é sempre a parte mais pobre de cada país porque é uma região que tem padrão de desenvolvimento baseado ainda na extração de recursos naturais, com grande impacto ambiental associado. E os modelos de agregação de valor em uma economia mais intensiva são ainda incipientes. Se desmata e continua pobre, a solução não é desmatar para gerar riqueza”, avaliou o coordenador nacional da pesquisa, Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O Brasil é citado como o único país da região que já cumpriu a meta de reduzir pela metade a proporção da população que sofre de fome. O país tem, por exemplo, taxa de desnutrição infantil de 4%, bem abaixo da média dos países latino-americanos (10%). O Peru e a Bolívia ainda registram taxas altas, com mais de 20% de crianças desnutridas.

A falta de saneamento e baixas taxas de emprego formal também estão entre os obstáculos para a redução da pobreza na Pan-Amazônia, segundo o trabalho. Os índices de desemprego na região são baixos, mas a informalidade é alta. De acordo com o levantamento, mais da metade da população amazônica economicamente ativa trabalham no mercado informal, sem benefícios e direitos sociais.

“Também persistem problemas sérios como o trabalho infantil e o trabalho forçado”, aponta o relatório. Só no Brasil, mais de 15 mil pessoas foram resgatadas de trabalho análogo à escravidão entre 2003 e 2009 em regiões rurais da Amazônia, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) citados no documento.

As taxas de mortalidade materna e infantil – que permanecem altas em alguns países –, a grande ocorrência de doenças como a malária e a tuberculose e o aumento da propagação da aids também rebaixam os indicadores da Pan-Amazônia e distanciam a região do cumprimento dos ODM relacionados à saúde. De acordo com o levantamento da ARA, a mortalidade infantil caiu em todos os países amazônicos, mas não o suficiente para ser reduzida em dois terços até 2015, como previsto nas metas do milênio, com exceção da Venezuela.

Em relação aos indicadores de educação, todos os países avaliados conseguiram aumentar a taxa de matrícula na educação básica, que alcança 90% das crianças em idade escolar. No entanto, mais de dois terços das crianças que ingressam na escola estão fora da idade adequada. Na Amazônia brasileira, por exemplo, 26% dos estudantes da educação básica em 2008 tinham idade superior à recomendada para a série, segundo dados apresentados na pesquisa.

Além da distorção idade-série, a evasão escolar também compromete melhores resultados nos indicadores educacionais da região. “Ainda que o crescimento da taxa de matrícula seja um avanço importante, os países precisam aumentar esforços e investimentos para que os estudantes completem o ciclo escolar”, destaca o documento.

Os indicadores ambientais na região mostram avanços na criação de unidades de conservação e no reconhecimento de terras indígenas. No entanto, o desmatamento ainda ameaça a floresta e a biodiversidade. O Brasil é apontado como responsável por 72% do desmate anual da Amazônia, seguido pela Venezuela (12,5%) e pelo Peru (4,7%). Os autores reconhecem, no entanto, que a participação brasileira pode estar superestimada pela falta de dados de outros países. “Nem todos os países amazônicos têm um sistema de monitoramento anual do desmatamento”, diz o texto. Até o fim de 2011, a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg) deve divulgar mapas mais atualizados da floresta, com indicadores de desmatamento, exploração de gás e óleo e outras pressões.

Luana Lourenço, da Agência Brasil



http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/11/17/amazonia-esta-longe-de-cumprir-objetivos-de-desenvolvimento-do-milenio-mostra-relatorio.jhtm

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Combate a pedofilia na internet. O que você acha da atitude da professora?

Notícia publicada no IG:

Os pais de uma aluna de 12 anos que foi orientada pela professora a marcar encontro com um pedófilo pela internet como trabalho escolar, em São Carlos, no interior de São Paulo, querem transferir a filha para outra escola. De acordo com o padrasto da menina, que pediu para não ser identificado, existe o temor de que a estudante fique marcada por ter levado o caso ao conhecimento dos pais. A professora foi suspensa.


De acordo com os pais, a docente de português teria orientado a menina a marcar encontro com um pedófilo no centro da cidade para que ela o fotografasse. O caso chegou ao conhecimento da família porque a docente deixou um recado no caderno da aluna, orientando sobre como devia agir durante o contato com o pedófilo via internet.

Conforme a orientação, ela deveria usar um nome fictício, citar a idade real e imprimir a conversa online. A professora também pedia a colaboração dos pais para vigiar as conversas pelo computador. O objetivo, segundo ela, seria mostrar aos alunos os riscos da internet.

A família testá descontente com o encaminhamento dado ao episódio pela direção da Escola Estadual Professora Maria Ramos, na qual a menina cursa a 6ª série. Segundo o padrasto, a diretora teria manifestado preocupação com a imagem do estabelecimento e com a repercussão do caso.

Foi preciso a intervenção da Secretaria Estadual da Educação para que a professora fosse suspensa – por causa do feriado prolongado, o afastamento só deve ser publicado quarta no Diário Oficial. O padrasto já contatou a Diretoria Regional de Ensino pedindo que a enteada seja matriculada em outra escola. A família procurou uma advogada para acompanhar o caso. A diretora regional de Ensino, Débora Gonzales Costa Blanco, disse que todas as providências administrativas foram tomadas tão logo o caso chegou ao seu conhecimento. Caso a família deseje a transferência, a diretoria colocará uma vaga à disposição da aluna em outra escola na região de sua residência.

Em nota, a Secretaria da Educação informou que só voltará a se manifestar após a conclusão da sindicância aberta para apurar o caso.

Infância na foto

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MST denuncia que 24 mil escolas na área rural foram fechadas

Um grupo de professores, intelectuais e entidades da área da educação assinaram manifesto lançado pelo MST, no dia 14 de outubro que denuncia o fechamento de 24 mil escolas na área rural e cobra a implementação de políticas que fortalecimento da educação no meio rural. “Fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!”, denuncia o documento. Entre 2002 e 2009, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.

Assine você também o manifesto:
http://www.petitiononline.com/camfeccr/petition.html

Violência na escola piora desempenho de alunos

A Revista CEPAL de agosto de 2011 traz o resultado de uma interessante pesquisa com o título “América Latina: violência entre estudantes e desempenho escolar”. O estudo se propôs a estimar a magnitude da violência escolar nas escolas da América Latina e seu impacto sobre o desempenho dos alunos do ensino fundamental. Foram analisadas as caraterísticas sociodemográficas e sua vinculação aos maus tratos entre pares em 16 países (Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicaragua, Panamá, Paraguai, Peru, Republica Dominicana e Uruguai), num universo de 2.969 escolas, 3.903 turmas e 91.223 estudantes da sexta série. Entre os resultados da pesquisa destaca-se: alunos que sofreram violência de seus pares tiveram um desempenho significativamente pior em leitura e matemática, quando comparados aos que não sofreram violência. Turmas com mais episódios de violência física ou verbal tem pior desempenho.


Uma das questões perguntada aos alunos foi se sofreram situações de roubo, maus tratos, ameaças, insultos ou qualquer forma de violência. A pior situação ocorre na Colômbia onde 63,18% declarou ter sido vítima de algum tipo de violência na escola. O menor percentual foi em Cuba com 13,26% declarando-se vítimas de violência na escola. No Brasil 47,62% se disseram vítimas de violência nas escolas.

Veja a pesquisa completa no link:
http://www.eclac.org/publicaciones/xml/3/44073/RVE104RomanMurillo.pdf

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Honduras teve 95 homicídios de jovens em outubro

Em relatório mensal, o Observatório dos Direitos dos meninos, meninas e jovens, desenvolvido pela Casa Aliança Honduras, revela a situação dos direitos da infância e adolescência no país. São observados pontos como educação, saúde, violência e direito à proteção, referente ao mês de outubro.
De acordo com o documento, o Estado hondurenho não tem garantido os direitos de crianças e jovens, desrespeitando convênios internacionais e a própria Constituição. "A Casa Aliança Honduras compartilha do dia a dia de milhares de meninos, meninas e jovens cujos direitos mais elementais se vêm vulnerados diariamente sem que esta realidade mude; se violenta seu direito à integridade pessoal, à proteção, à não exploração sexual-comercial, à saúde, à educação e, em definitivo, à própria vida”, afirma.

Entre as situações que merecem críticas está a saúde. De acordo com o relatório, a gravidez entre adolescentes cresceu 38%. Diante disso, a Casa Aliança lembra que a Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Direito à Saúde afirmou que Honduras enfrenta barreiras penais e legais que afetam à saúde reprodutiva, como as restrições ao aborto, a conduta durante a gravidez, os métodos anticoncepcionais e o planejamento familiar; e o acesso à educação sexual.

"Algumas das restrições jurídicas penais e de outra índole que se aplicam em cada um desses âmbitos, muitas vezes discriminatórias, dificultam o acesso a bens, serviços e informação de qualidade e, consequentemente, violam o direito à saúde”, citam.

Já as fortes chuvas e inundações vivenciadas no país trouxeram aumento de casos de doenças respiratórias e gastrointestinais em crianças de cinco anos, cujas famílias tiveram que ser desalojadas e agora estão instaladas precariamente em locais insalubres, sem condições de higiene.

Na capital, Tegucigalpa, as doenças respiratórias, majoritariamente pneumonia e bronquite, respondem por 40% das internações de crianças menores de 5 anos, ao passo que causam a morte de 4 milhões de crianças por ano.

Houve 95 homicídios de jovens em outubro, cometidos por atores diversos, inclusive agentes estatais. Meninos são as principais vítimas (79). A maioria dos casos foi registrada nos departamentos de Francisco Morazán (42) e Cortés (37). O relatório alerta para o fato de que em 99% das ocorrências se desconhece os culpados.

O documento aponta que há pelo menos mil meninos e meninas vivendo nas ruas, desprotegidos e expostos a vícios, como o álcool e outras drogas, e ao envolvimento com quadrilhas.

Em situação de exploração do trabalho, a organização afirma que há entre 400 mil e 500 mil crianças, principalmente no norte do país, onde sua mão de obra é utilizada na mineração e agroindústria. Também há crianças trabalhando na coleta de lixo para reciclagem, segundo o relatório.

Outra violação ocorre contra o direito à proteção, constatada por um técnico da Casa Aliança enviado à fronteira de Honduras com Guatemala. Em um mês, ele registrou 46 casos de crianças e adolescentes imigrantes retornados. Segundo a imprensa, cerca de 15 milhões de crianças e jovens da América Central viajaram a outros países nos últimos quatro anos, a maioria sem companhia de adultos. A situação tem gerado aumento de sequestros.


Já a educação enfrenta desorganização. O governo se mobiliza para reformar lei sobre o setor, e o ano escolar terminará no próximo dia 30, apesar de o país ter sofrido com greves de professores. Além disso, a Secretaria de Educação afirmou que o ano letivo 2012 iniciará com déficit orçamental de 500 milhões de lempiras.

A educação de má qualidade que Honduras provê a crianças e adolescentes já havia sido denunciada por Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) e a ONG Save the Children.

Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Crianças vítimas da guerra

Mensagem aos “heróicos” trucidadores de crianças


Circula pela internet vídeo de alguns segundos, que mostra duas crianças de Sirte, sendo atendidas em algum lugar que lembra um ambulatório improvisado. São o menino, de cinco ou seis anos, e a menina, de idade parecida. O menino grita de dor, ainda que tenha as duas mandíbulas, o queixo e a garganta dilacerados, provavelmente por estilhaços de bomba. A menina está em silêncio, olhando o nada, como se o nada pudesse explicar-lhe o sofrimento do menino, e o calcanhar arrancado, o pé quase pendente da perna.

Como veterano jornalista, que cobriu crimes bárbaros e acidentes terríveis, e a dura experiência de guerras civis e invasões militares – mas acima de tudo, como pai e avô – confesso que nada foi tão fundo na minha tristeza do que a imagem das crianças de Sirte. Das ainda vivas, e das mortas da família Khaled. Foi possível imaginar as milhares de outras crianças, mortas e feridas, na Líbia, no Afeganistão, no Iraque, na Palestina. Diante das cenas, revi o Presidente Barack Obama, sua elegante mulher e suas duas filhas, lindas, sorridentes, que o pai presenteou com um cão, para que o fizessem passear pelos jardins da Casa Branca. Revi-as viajando pelo mundo, e visitando escolas na África e na América Latina. E fiquei sabendo da alegria de Monsieur Sarkozy em ser novamente pai. Em sua relativa juventude, marido de uma cantora jovem, famosa e bela, o presidente da França terá, é o que todos esperamos, anos felizes ao lado da filha. Irá conduzi-la pela mão entre os canteiros dos jardins de Paris, e, se as coisas da política lhe permitirem, a ela contará passagens de sua própria infância. Ouvirá a mulher, com sua voz magnífica, cantar-lhe as mais belas berceuses. E quando ela ficar mocinha, se enlevará com as canções de sua mãe, como “Quelqu’un m’a dit”, e seus versos abertos: “Alguém me disse que nossas vidas não valem grande coisa/ Passam em um instante, como fenecem as rosas”.

A idéia que associa a morte das crianças – no caso, uma menina – à brevidade das rosas, é de Malherbe, o grande poeta francês dos séculos 16 e 17, a quem se atribui a invenção do francês literário. Ele escreveu seu famoso poema para consolar um amigo que perdera a filha de seis anos, e resume a homenagem à menina, que se chamava Rose, no verso conhecido: “E, rosa, ela viveu o que vivem as rosas, o espaço de uma manhã”.

Uma criança morta, muçulmana ou judia, negra ou nórdica, de fome, de endemias ou de acidentes, em qualquer parte do mundo, é uma violência insuportável contra a vida. As crianças mortas em guerras são insulto às razões da vida, e uma grande dúvida sobre a existência de Deus – a não ser a do Deus dos Exércitos.

David Cameron, parceiro e competidor de Sarkozy na aventura líbia, é um pai que sofreu a dolorosa perda de um filho, Ivan, também aos seis anos – em fevereiro de 2009, acometido de uma forma rara de epilepsia. Não é possível que, diante das cenas de Sirte, e na lembrança do filho, não sinta, no coração, o peso de sua culpa, ao usar as armas britânicas, nos bombardeios sistemáticos contra as cidades líbias – entre elas, Sirte, a que mais sofreu, e sem trégua, com as bombas e mísseis. A Líbia e as outras nações da região foram bombardeadas e ocupadas pelas nações mais poderosas do Ocidente porque têm suas areias encharcadas de petróleo. O petróleo, na visão dessas nações, é um dos direitos humanos dos ricos e bem armados.

A espécie humana só sobrevive porque ela se renova em cada criança que nasce. Como nas reflexões de Riobaldo, em uma vereda do grande sertão, diante da paupérrima mulher que dá à luz: não chore não, dona senhora; uma criança nasceu, o mundo começou outra vez.

Os doutores em jornalismo atual, que recomendam textos frios, podem ver nessas reflexões o inútil sentimentalismo de um veterano – diante da realidade do mundo. Mas houve um tempo, e não muito distante, em que o jornalismo era solidário com o sofrimento dos mais débeis, com os perseguidos e famintos de pão e de justiça.



por Mauro Santayana - no site Conversa Afiada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Adolescentes na internet e bullying

Um novo estudo do Pew Research Center, nos Estados Unidos, sobre os hábitos dos adolescentes (entre 12 e 17 anos) nas redes sociais revelou que há muita animosidade e até bullying na vida on-line dos jovens. Oitenta por cento deles têm perfis neste tipo de site.
Segundo a pesquisa, embora a maioria considere que as redes sociais fazem com que se sintam bem e mais próximos de outras pessoas, pelo menos 41% admitiram ter tido ao menos uma experiência negativa nos sites. Um quarto dos jovens ouvidos afirmou que essa experiência negativa on-line resultou numa discussão ou confronto ao vivo posteriormente, e 22% terminaram amizades por problemas dentro das redes (a maioria no Twitter). Parte dos adolescentes (13%) declarou ter ficado com medo de ir à escola no dia seguinte à confrontação na internet, e outros 13% tiveram problemas com os pais por causa de Facebook e afins. Finalmente, 8% se envolveram em brigas físicas após discussões nas redes sociais.
De acordo com o Pew Research, 88% dos internautas adolescentes já viram alguém se mostrar cruel ou maldoso nas redes sociais; e 15% afirmaram ter sido vítimas de crueldade on-line nos últimos 12 meses. As meninas de 12 e 13 anos são as que mais reclamam de maus tratos e indelicadeza nas redes - 33% o declararam.
Moradores de áreas urbanas (23%) e rurais (28%) são os que mais costumam ser maltratados no uso das redes sociais. O bullying também ocorre: 19% dos jovens disseram que já foram importunados de várias formas (pessoalmente, por telefone, por SMS etc), e 8% foram perseguidos na internet. As meninas (12%) são as que mais reportam terem sido vítimas de bullying.
A maldade e a crueldade, no entanto, acabam passando em branco na maioria dos casos. Cinquenta e cinco por cento dos adolescentes afirmam que, ao verem algo ruim acontecendo nas redes, a maioria dos internautas simplesmente ignora o que está acontecendo, enquanto 27% viram alguém defendendo a vítima. Outros 20% testemunharam reações de outros internautas mandando o ofensor parar com a perseguição. Mas 19% também perceberam outras pessoas se aproveitando da situação para cair em cima da vítima. A atitude de ignorar os problemas é adotada frequentemente por 35% dos próprios adolescentes. Mas 21% admitiram que por vezes participam da perseguição.
- Eu não queria intervir, porque estava meio assustada - contou na pesquisa uma estudante do ensino médio. - (...) Era um círculo de raiva e muitos palavrões. (...) No fim, cliquei em "Reportar".
O site mais usado, de longe, é o Facebook, com 93% da preferência dos adolescentes, contra 12% para o Twitter. Google+ e Orkut nem aparecem na lista. Dos jovens, 59% têm apenas um perfil numa rede, enquanto 41% têm perfis em várias delas. O Pew Research entrevistou 799 adolescentes nos EUA para a pesquisa.

O GLOBO

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Professores nas novelas

A revistapontocom (no link abaixo)conversou com Jô Levy, professora do curso de comunicação social (habilitação em audiovisual) da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e coordenadora pedagógica do projeto Telinha de Cinema (http://casadaarvore.art.br)que fez uma pesquisa interessante sobre personagens professores nas novelas. Em 2006, a pesquisadora fez as contas: das 567 telenovelas produzidas de 1951 a 2006, 31 apresentaram personagens professores. “Professores estereotipados”. Diz a professora: "Uma galeria de tipos. Especificamente nas telenovelas, de forma mais recorrente observo sete tipos: o atrapalhado, o arcaico, o objeto de desejo, a pura e casta, o show men, os malditos e os heróis e heroínas. Cheguei a esta classificação fazendo um levantamento num universo de 567 telenovelas brasileiras, produzidas desde 1951, quando foi ao ar a primeira, até 2006, ano da pesquisa de mestrado que realizei pela Universidade Federal de Goiás. A presença desses tipos confirma o que talvez supomos como espectadores, isto é, a presença de estereótipos na composição dos personagens.

Eis a descrição dos tipos que encontrei:

- O atrapalhado – Intelectual tímido e atrapalhado, tão dedicado aos livros que relega sua sexualidade a um plano secundário. Exemplo: Caio Szemanski, interpretado por Antônio Fagundes em Rainha da Sucata (Rede Globo/1990).

- O arcaico – São homens que demonstram erudição e austeridade. Postados no alto patamar do saber, são inacessíveis. O “arcaico” é um típico professor da pedagogia tradicional, em que a centralidade do ensino está no mestre. Exemplo: Professor Astromar, interpretado pelo ator Ruy Resende em Roque Santeiro (Rede Globo/1986).

- O objeto do desejo – São os que involuntariamente ou não despertam a paixão de seus alunos. Poderia ser identificada, nessa categoria, as seguintes personagens: Lu (interpretada por Leila Lopes, em Renascer. Rede Globo/1993), Mariquinha (interpretada por Carolina Kasting, em Cabocla. Rede Globo/2004), Clotilde (interpretada por Maitê Proença, em O Salvador da Pátria. Rede Globo/1989) e Raquel (interpretada por Helena Ranaldi, em Mulheres Apaixonadas. Rede Globo/2003). Não só mulheres se enquadram nesse perfil, mesmo personagens masculinos fazem esse tipo.

- A pura e casta – É o estereótipo da mulher bonita, meiga e feliz, indiferente ao contexto político e econômico do qual faz parte. Nessa perspectiva, a escola é uma extensão da casa e a docência uma consequência natural do “ser mulher”. Uma professora assim, dificilmente estará desenvolvendo algum trabalho científico, investindo no seu aperfeiçoamento profissional ou pleiteando melhores condições de trabalho. Exemplo: Márcia, interpretada por Malu Mader, em O dono do mundo (Rede Globo/1991) e Helena, interpretada por Gabriela Rivero, em Carrosel (SBT/1991).

- O show men – Esses professores tornam a aula um momento de mise-en-scène, personificando um ensino que visa muitas vezes ao espetáculo e nem sempre à reflexão. Na vida real, esse perfil encontra expressão entre os professores de cursos preparatórios para o vestibular e concursos. Exemplo: Rubinho, interpretado por Luís Melo em Cara & Coroa (Rede Globo/1995) e Afrânio, interpretado por Charles Paraventi em Malhação (Rede Globo/2005).

- Os malditos – Não é comum um personagem-professor fazer o “tipo maldito”, até porque se pressupõe que o docente represente um modelo de conduta a ser seguido pelos alunos. Exemplo: Santana, alcoólatra interpretada por Vera Holtz em Mulheres Apaixonadas (Rede Globo, 2003) e May, prepotente e antiética, interpretada por Camila Morgano em América (Rede Globo, 2005).

- Heróis e heroínas – São protagonistas nas tramas e o ofício da docência é um elemento constitutivo da caracterização do personagem, além de ser relevante no desenrolar do enredo. Exemplo: Fábio, interpretado por Nuno Leal Maia em A Gata Comeu (Rede Globo/1985), Clotilde, interpretada por Maitê Proença em O Salvador da Pátria (Rede Globo/1989) e Eduardo, interpretado por Fábio Assunção em Coração de Estudante (Rede Globo/2002).

http://www.revistapontocom.org.br/entrevista/professores-nas-telenovelas