terça-feira, 25 de outubro de 2011

Relato de uma jovem em missão de solidariedade na Palestina.

"Hoje é sexta-feira, nosso primeiro dia de luta. Todas as sextas os Palestinos se mobilizam em dez pontos de resistência contra a ocupação ilegal de Israel. Ainda estamos um pouco impactados, mas tentando socializar do que participamos. Viemos cedinho para a vila marcada. O pessoal já estava reunido, em uma concentracao. Fizemos um lanche na rua e fomos caminhando. Nos primeiros pés de oliveiras um pessoal da Europa parou e começou a colher azeitonas. Nós seguimos com os Palestinos, pensamos que chegaríamos no muro. Num lugar que parecia um vale, todo plantado, mas não podem mais colher, nem entrar nas suas terras. Eles começaram a subir um grande cerro e pediram insistentemente para ficarmos ali (os coordenadores e o camponês que coordena um dos comitês que nos acompanhava). Enrolamos um pouco e continuamos caminhando até o final da plantação que fica entre dois assentamentos de Israel dentro da terra da Palestina. Lá o pessoal começou acolher azeitonas e nós juntos. Logo começaram a descer os colonos Israelenses armados (eles tem tipo uma milícia). Rapidamente já estávamos cercados de colonos e pelo exercito de Israel, pois estávamos na área C, que é território da Palestina, mas controlada militarmente por Israel. Tentamos descer do morro, mas atiravam muito, de verdade. Precisávamos nos atirar no chão para não nos acertarem. Muita insegurança se corríamos ou se ficávamos deitados no chão. Circulamos o morro, mas não havia saída, estávamos cercados. Quando perceberam que havia estrangeiros começaram a atirar apenas bombas de gás e de pimenta, mas que mesmo assim incomodam muito. Sofremos bastante neste momento, nos dispersamos, descemos todos correndo, caindo. Nosso grupo de Brasileiro só foi se encontrar bem depois. Esta Vila Jalud é tida como pacífica, mas só conseguem colher se acompanhados de estrangeiros, assim Israel não atira para matar, mesmo assim, não foi tranqüila. Mesmo com as mãos para cima, quando chegamos próximo ao comboio do exercito nos jogaram bombas de gás e nos perdemos novamente. Foi um momento intenso e de muito pavor. Sentimos na pele a repressao que este povo vive cotidianamente. Depois disso, ainda com as pernas bambas, fomos colher em um territorio mais tranquilo. Na metade da tarde almocamos e retornamos as vilas que estamos, cada grupo.
Amanha vamos colher todos juntos em outra terra. Esperamos que seja um pouco mais tranquilo, pois hoje seria um dia mais de descanso e deu todo este atropelo"

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