quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jovens mexicanos defendem autonomia dos povos indígenas

Nos dias 8 e 9 de outubro, organizações e movimentos do Comitê de Jovens do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, convocados pela Sociedade Civil Las Abejas Acteal, participaram do Encontro "Plantando sementes da não-violência”, no município de Chenalhó, estado de Chiapas (México). Como resultado do evento, os jovens fizeram um pronunciamento, no qual exigem, dentre outros pontos, o "fim imediato da perseguição aos povos originários, de sua cultura, de suas formas tradicionais de relação com a terra e de sua luta pela autonomia”.

O pronunciamento destaca também a exigência pelo fim da impunidade dos autores "intelectuais e materiais” do massacre de Acteal. O fato refere-se à chacina ocorrida em 1997, quando indígenas da organização "Las Abejas” foram atacados por membros do grupo Máscara Roja , resultando em 45 mortos. Embora o governo mexicano tenha qualificado o massacre como conflito étnico, defensores de direitos humanos o consideram como uma estratégia para desarticular o Exército Zapatista da Libertação Nacional (EZLN).

Os jovens pedem ainda a desarticulação dos grupos paramilitares no México. Exige-se ainda o fim da estratégia militarista de combate ao crime organizado, opondo-se a Lei de Segurança Nacional e de reformas ao Código penal. Tais alterações nas leis são entendidas como formas de suspender as garantias constitucionais, atentando contra os direitos humanos.

Desigualdade, falta de interesse do governo, falta de respeito à dignidade das pessoas, violações sistemáticas aos direitos humanos, educação focada no individualismo são algumas das causas da violência identificadas pelos jovens. "Isso gera um clima generalizado de medo que é aproveitado pelo governo para oferecer uma falsa segurança à base da militarização que, longe de proteger o povo, gera mais violência”, destaca o texto do pronunciamento.


Para a juventude do Comitê de Jovens do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, no entanto, a solução para tais problemas não "virá do Governo, mas de cada um de nós e todos juntos como povo organizado”. Nesse sentido, eles ressalam que a relação comunitária, o grau de organização e a luta pela autonomia dos povos indígenas configuram-se como um exemplo a ser seguido pela juventude.

Da Adital

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