quarta-feira, 16 de março de 2011

Contra abuso infantil Chile inclui educação sobre sexualidade a partir da 1ª série

Com o objetivo de dar às crianças noções sobre sexualidade e afetividade, o Ministério de Educação do Chile decidiu tornar obrigatório o ensino dessas disciplinas desde o primeiro ano do ensino básico, a partir do ano que vem. A ideia é que os/as alunos/as tenham uma hora de aula sobre o assunto.

O ministro Joaquín Lavín justificou que o abuso infantil acontece, geralmente, entre o terceiro e o quarto ano básico, e que por isso, "uma criança tem que aprender que ninguém pode se aproximar de seu corpo da forma que ela não quer, tem que aprender a relatar [qualquer eventualidade] para seus pais ou seus entes queridos".

Carolina Schmidt, ministra do Serviço Nacional da Mulher, Sernam, que também participou da decisão, afirmou que é importante incluir e enfrentar o problema da gravidez na adolescência, já que mais de 41 mil adolescentes se tornam mães ainda muito jovens.

Para por em prática a nova medida, o governo conta com o auxílio de especialistas e de sete programas específicos na área da educação sexual, como o Programa de Aprendizagem em Sexualidade e Afetividade, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade do Chile, e do programa Sexualidade, autoestima e prevenção da gravidez, da Associação Chilena de Proteção da Família. Cerca de 3 mil professores devem ser capacitados para as novas aulas.

Todas as estratégias estimulam o retardamento do início da atividade sexual e podem ser difundidas facilmente em nível nacional, já que adota a linguagem dos jovens. De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Juventude do país, a primeira relação sexual dos adolescentes chilenos acontece por volta dos 16,7 anos de idade. Todos os planos também abordam temas como anticoncepção, HIV/Aids, gravidez na adolescência, abuso sexual e homossexualidade.

Diante do anúncio da inclusão da nova disciplina no ensino do país, o Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh) se manifestou na expectativa de conseguir a inclusão sadia dos temas homossexualidade e transexualidade nos programas.

"Esperamos que o tratamento que será dado para a diversidade sexual esteja livre de preconceitos ou discriminação. E dizemos isso, porque desde o ano passado tivemos conhecimento de denúncias sobre eventuais conteúdos homofóbicos, em especial, naqueles programas vinculados a correntes religiosas. Por isso, pedimos ao Ministério da Educação garantias de que isso não será assim", enfatizou o Movilh.

Para o movimento, o conteúdo homofóbico ou discriminatório sobre a diversidade sexual "violentaria os princípios de não-discriminação garantidos na Lei Geral de Educação e no Regulamento de Convivência Escolar".

Da Adital

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