quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Juventude otimista

A juventude brasileira é a segunda mais otimista em relação ao seu futuro
pessoal e a terceira a considerar que as perspectivas de seu país são
promissoras, segundo a pesquisa “2011 – A Juventude do Mundo”, divulgado
pela Fundação para a Inovação Política (Fundapol) da França na noite de
terça-feira.

A pesquisa revela as aspirações, os valores e as preocupações atuais dos
jovens no mundo. Ela foi realizada em 25 países em cinco continentes, com
32,7 mil pessoas.

Segundo o estudo, 87% dos jovens brasileiros consideram que seu futuro
será promissor, atrás apenas dos indianos (90%).

Em relação ao futuro de seus países, o otimismo dos jovens do Brasil fica
em terceiro lugar: 72% acreditam que ele também será promissor. Na Índia,
o índice foi de 83% e, na China, de 82%.

No entanto, apenas 17% dos jovens gregos, 23% dos mexicanos, 25% dos
alemães e 37% dos americanos consideram que o futuro de seus países será
promissor.

Os jovens das grandes potências emergentes também são os que mais têm
confiança de que terão um bom emprego no futuro. No Brasil, esse índice é
de 78%. No Japão, somente 32% acham que isso irá ocorrer.

A juventude da Índia, da China e do Brasil também é a que mais vê a
globalização como uma oportunidade e não como uma ameaça. Os números são,
respectivamente, 91%, 87% e 81%.

“De uma maneira geral, se considerarmos outros itens da pesquisa, podemos
considerar que a juventude brasileira é de longe a campeã de otimismo”,
disse à BBC Brasil Dominique Reynié, coordenador-geral do estudo e diretor
do centro de estudos francês Fondapol.

Poluição

O vasto estudo, que totaliza mais de 26 mil páginas, abordou 224 temas
variados, que vão desde questões econômicas, como emprego e aposentadoria,
à confiança nas instituições políticas ou na polícia, além de assuntos
ligados à religião, família, sexo, ecologia e internet, entre outros.

Alguns elementos dessa ampla pesquisa, que ainda está sendo compilada em
um livro de cerca de 500 páginas, foram divulgados em um evento na noite
de terça-feira em Paris.

Segundo a pesquisa, os jovens chineses são os mais preocupados com a
poluição (51%). Em uma questão sobre as três maiores ameaças para a
sociedade, a poluição, para os chineses, representa um problema maior do
que a fome ou a pobreza (43%).

Já no Brasil, 61% afirmam que temem mais a fome ou a pobreza do que a
poluição (45%), como na maioria dos países que integram o estudo.

A juventude brasileira é a quarta que se diz mais disposta a dedicar tempo
à religião (58%), atrás do Marrocos (90%), da África do Sul (72%) e da
Turquia (64%) e à frente de Israel (52%). Já na França e na Espanha, esse
índice é de apenas 15%.

Mais de um terço dos jovens brasileiros acha que as relações sexuais só
devem ser permitidas no casamento, segundo a pesquisa. A média da União
Europeia é de 20%.

Em relação às prioridades para os próximos 15 anos (o questionário
permitia escolher três em uma lista de dez), 60% dos jovens indianos
afirmam que querem ganhar muito dinheiro.

Mas apenas 24% responderam que ter filhos é um dos projetos importantes
nesse período.

No Brasil, ganhar muito dinheiro também é uma prioridade para 47% dos
jovens (média semelhante à da União Europeia).

E 39% afirmam que ter filhos é um dos três projetos prioritários nos
próximos 15 anos, diz o estudo.

A pesquisa descobriu ainda que 39% dos jovens brasileiros dizem não estar
dispostos a pagar pelas aposentadorias das gerações anteriores, somente
27% dizem confiar no Congresso e 62% preferem uma sociedade com
distribuição de riquezas a uma sociedade que recompensa o esforço
individual – índice próximo aos dos países escandinavos ou da França e bem
acima dos outros grandes países emergentes.

Por Daniela Fernandes,De Paris para a BBC Brasil

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