segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A difícil situação da infância na Guatemala

Mesmo com uma redução expressiva no número de mortes violentas na Guatemala em 2010, o país dá indícios de que ainda precisa melhorar no que diz respeito ao combate à violência. Todos são afetados, mas, muitas vezes, é sobre as crianças e adolescentes que recai o fardo mais pesado, pois quando estas não são atingidas diretamente, ficam órfãs.

Segundo denúncia do Movimento Social pelos Direitos da Infância, Adolescência e Juventude na Guatemala; nos 20 primeiros dias deste ano já foram registradas quatro mortes violentas de crianças, outras três ficaram feridas apenas na capital, cidade da Guatemala. Nesta proporção, o país corre o risco de apresentar, neste ano, índices superiores aos registrados em 2010, quando foram assassinadas 57 crianças, duas delas tendo sido massacradas.

Os números deixam claro que o direito à vida está sendo roubado de um grande número de crianças e adolescentes guatemaltecas. A situação é ainda mais grave pelo fato de que estas, quando não são vitimadas diretamente, são afetadas pela perda dos pais.

Em virtude disso, o Movimento Social pelos Direitos da Infância, Adolescência e Juventude manifesta seu rechaço e de suas organizações membros "ante as cenas desumanas de morte, onde as crianças são os primeiros espectadores com o risco de que para elas isto se converta em uma situação normal e em uma aprendizagem replicável”.

Os casos de abuso e maus tratos físicos também são recorrentes dentro das próprias famílias e no âmbito das escolas e instituições de proteção à criança e ao adolescente. De acordo com denúncia da Comissão Nacional contra o Mau-trato e Abuso Sexual Infantil (CONACMI), um adolescente de 15 anos que frequentava pela primeira vez a Escola Pedro José Valenzuela, na cidade da Guatemala, foi violado, na hora do recreio por cerca de cinco alunos da mesma escola. A violência foi presenciada por outros estudantes, mas ninguém pode pedir ajuda por causa das ameaças de morte feitas pelos infratores.

Como se não bastassem os problemas relacionados à violência, a Guatemala também bate recordes no quesito desnutrição infantil. Entre os países da América Latina, o país ocupa o primeiro e em nível mundial o quarto lugar, nos índices de desnutrição. No ano passado, foram registrados 2.006 casos de morte de crianças menores de cinco anos por desnutrição e fome. Para o Movimento Social pelos Direitos da Infância os dados mostram que os esforços empreendidos pelo governo foram apenas paliativos que não resolveram a pobreza.

Para tentar acabar ou minimizar os efeitos do flagelo da violência e da miséria, o Movimento Social e suas organizações estão fazendo um apelo às autoridades da Guatemala para que resolvam com agilidade a crise alimentar que se incrementa a cada dia no país. Pedem também a aplicação das leis por meio do Sistema de Justiça e o funcionamento das instâncias responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes.

Para que a população guatemalteca volte a conhecer a paz e a segurança, também se faz necessário o desenvolvimento de políticas e programas de prevenção, por meio dos quais se restitua às crianças e adolescentes direitos básicos como saúde, educação e segurança. Um compromisso com a geração de oportunidades de trabalho digno para as famílias também deve ser firmado a fim de que os pais tenham a plena condição de oferecer aos filhos e filhas uma vida decente.

Natasha Pitts - Jornalista da Adital - no site da Adital

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