segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Racismo faz mal à saúde

O sofrimento contínuo do cidadão negro brasileiro é naturalizado pela sociedade. A naturalização contribui para a invisibilidade dos problemas que afetam a saúde mental da população negra. O resultado dessa cruel combinação é a produção de doenças que podem implicar em danos irreparáveis ou morte. Especialistas afirmam que o racismo causa efeitos perversos na saúde da população em geral, em especial para a população negra. “O racismo é uma doença mental e produz vulnerabilidade”, denuncia Jurema Werneck, membro do Conselho Nacional de Saúde e coordenadora da ONG Criola.
A forma de lidar com a saúde mental no Brasil precisa ser revista. De acordo com Werneck, deve ser considerado o impacto do racismo na construção da subjetividade do indivíduo e a partir de um referencial teórico da saúde mental que não seja o eurocêntrico.

“Não se pode chamar um problema da magnitude do racismo como estresse. Freud falava a partir da vivência da cultura do seu grupo. Quem fala por nós? Tivemos Franz Fanon que deu a largada. Mas a saúde mental precisa ser valorizada na produção teórica. E isso é uma tarefa para os nossos pesquisadores e profissionais da área da saúde mental”, afirma Werneck.

O tema foi discutido no I Encontro Nacional de Psicólogos (as) Negros (as) e Pesquisadores (as) sobre Relações Interraciais e Subjetividade no Brasil (PSINEP) na semana passada, em São Paulo.

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