quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O poder da participação de crianças e adolescentes

"Ao participar de uma eleição estudantil pela primeira vez, José Nobre descobriu, aos 13 anos, que como presidente do grêmio poderia liderar sem ser pela força. Cansado de apanhar de garotos mais velhos, o aluno do 8º ano do Ciep Presidente João Goulart, no Cantagalo, em Ipanema, montou uma das 10 chapas, fez campanha e venceu nas urnas com 87 votos concorrendo com outras 44 crianças. “Foi uma participação inédita. Antes tínhamos que correr atrás de candidatos”, se surpreende a diretora Mônica Zucarino.
O segundo capítulo da série “Educação em Tempos de Paz” mostra que a cidadania está de volta às escolas. No Cantagalo, o comportamento dos alunos começou a mudar, há seis meses, após a implantação de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade. “Não dá mais status ser ligado ao tráfico. O legal agora é ser líder do grêmio”, observa a diretora. O novo líder promete cumprir as promessas. “Vamos fazer passeios, conseguir material didático para quem precisa e organizar torneios”, enumera José, que depois da eleição é parado nos corredores pelos colegas. “Alguns me pedem batata-frita e bife na merenda. Eu digo que isso não faz parte do trabalho de um grêmio. Estamos aqui para conseguir coisas para melhorar o aprendizado”, ensina o estudante, que quer se formar em Medicina e ser o primeiro da família a chegar à universidade.
As lições recém-aprendidas mostram que, quando a cidadania entra pela porta da frente, a criminalidade sai pelos fundos. “Os alunos estão mais politizados. Já têm noção do que é certo ou errado e entendem o que é ser cidadão, com direitos e deveres”, conta Mônica. A aluna S., 10 anos, procurou sozinha policiais da UPP do Cantagalo depois de levar uma surra do próprio pai. “Isso nunca aconteceria em outra época, quando as leis eram dos mais fortes”, compara a diretora.
Ter consciência e voz em áreas onde só imperava o silêncio é importante vitória do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que este mês completou 20 anos. A defesa plena e universal dos direitos infantis, contudo, só fica no papel se não vier amparada pela paz. O próprio Jardim Batan, uma das comunidades transformadas pela UPP, segregava estudantes. Caso do jovem G., hoje com 18 anos. Morador do Fumacê, histórico rival do Batan — em tempos de milícia na favela —, foi espancado na porta da Escola Municipal Costa do Marfim. Não podia sequer cruzar a Avenida Brasil.
Portador de deficiência mental, G. insistiu. Mas os bandidos ameaçaram arremessá-lo de passarela. O terror foi embora com a pacificação. “Antes da UPP, crianças de fora não podiam se matricular aqui. Hoje G. estuda conosco e faz aulas de hip hop”, orgulhase a professora Consuelo Oliveira." Por Maria Luiza Barros

Mais detalhes no link: http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2010/7/aprovados_em_cidadania_98733.html

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