quinta-feira, 17 de junho de 2010

Juventudes Contenporâneas


Está acontecendo em Belo Horizonte (16 a 19 de Junho) a IV JUBRA, Conferência Internacional da Juventude Brasileira.

No painel Violência e Juventude, hoje pela manhã, Luis Eduardo Soares, apresentou a discussão sobre a questão da violência partindo do número inaceitável e desafiador dos seis mil homicidios no Rio e um numero igual de desaparecimentos. Mais de mil pessoas são mortas por ações policiais por ano no Rio de Janeiro. Homicidio doloso não é um processo aleatório ou distribuido socialmente. Jovens entre 15 e 24 anos, negros, da periferias são os mais expostos. Embora uma palavra forte pode-se falar numa situação próxima do genocídio. A dinâmica sugere esta qaulificação pois os resultados são parecidos. Por que a crueldade? Porque a tortura, o ritual bárbaro? Não se trata de um cálculo visando utilidades. Há algo ligado ao prazer mórbido, enigmático e misterioso. Mas há também um sujeito que não pode ser justificado plenamente sob o pretexto das suas condições sociais, econômicas, culturais. Um personagem possível é um jovem da periferia que se arma e vai matar alguém. Como este jovem se encontra com a arma. Na verdade este jovem cruza a cidade com um ser socialmente invisível. Não é visto pelos outros em função do estigma que se projeta sobre ele. O outro desaparece e só se vê o que se projeta nele. Ao receber uma arma este jovem pode provocar no outro uma reação. Ele passa a ser visto, temido. Sob a arma apontada há uma mão estendida. Um clamor que vem do fundo da sua impotência de quem deseperadamente busca acolhida, reconhecimento, amor. Por um jogo intersubjetivo que permita-lhe existir. A resposta social é mais violência, a colocação em isntituições totais onde ele será submetido a um tratamento de negação de si mesmo, como a dizer a sí mesmo que se e o cenário é a lixeira eu só posso ser o lixo. O campo da segurança pública precisa se descontruir enquanto um modelo construído durante a ditadura militar e preservado até hoje. Enquanto a política dos “alvejáveis” (aquela parte da população que está sempre sob suspeita) continuar orientando as políticas de segurança pública e a ideologia das polícias a violência continuará sendo uma questão incompreensível.

De Belo Horizonte

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