quinta-feira, 13 de maio de 2010

América Latina progride mas segue distante de países ricos, diz Banco Mundial

Nos últimos 15 anos, os países da América Latina e do Caribe abriram as portas do desenvolvimento a um número maior de cidadãos, ampliando o acesso a serviços básicos --como água, esgoto, eletricidade, educação e saúde. Porém, ainda continuam bem distantes dos níveis registrados em países desenvolvidos, segundo um estudo do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira.
Os países com melhor desempenho no estudo foram Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Venezuela e Argentina, todos com índice superior a 85, de um máximo de 100.
O Índice de Oportunidade Humana (IOH) do Banco Mundial mede o quanto as circunstâncias pessoais --como local de nascimento, renda familiar, raça e gênero-- influenciam o acesso de uma criança a serviços necessários para progredir na vida, como educação primária, água potável e rede elétrica.
Tais circunstâncias ainda fazem uma grande diferença para as crianças da região, segundo o estudo. Por exemplo, o nível de educação dos pais é determinante para o nível de educação das próprias crianças, e o local de nascimento é o principal fator para determinar o acesso à infra-estrutura básica, informa o Banco Mundial.
Distância
O estudo indica ainda que as oportunidades para as crianças na América Latina e no Caribe aumentaram em até 1% a cada ano desde 1995.
Por outro lado, os governos desses países ainda podem se esforçar mais para acelerar o acesso universal aos serviços básicos. Na velocidade atual, seriam precisos cerca de 24 anos, ou uma geração inteira.
Apenas 10% da média do avanço no IOH de ser atribuída a uma distribuição mais justa dos serviços decorrente de melhoras nos gastos públicos. A grande maioria das novas oportunidades devem-se, no entanto, a mudanças nas próprias circunstâncias pessoais. Por exemplo, com a migração da população do campo para a cidade, diminui o problema de falta de acesso da população rural a serviços.
Quanto à qualidade da educação, todos os países da América Latina estão atrás dos países da Europa e da América do Norte. Mesmo Chile e Uruguai, que conseguiram os melhores índices da região em educação, ainda estão bem atrás de países com as piores médias na Europa e na América do Norte.
Essa diferença, segundo o estudo, deve-se não apenas ao fato de os países desenvolvidos oferecem mais serviços de educação, mas também por oferecerem esses serviços de forma relativamente mais justa. Na América Latina, por exemplo, quanto mais rica é a família, melhor é o desempenho da criança em avaliações escolares.
Desigualdade
Os governos da região ainda não conseguiram melhorar significativamente a situação da desigualdade, avalia Marcelo Giugale, diretor do Banco Mundial para Programas de Redução da Pobreza.
O estudo registrou uma significativa disparidade interna entre os países da América Latina e Caribe: a melhora mais rápida ocorreu no México; o Chile mostra o melhor desempenho (um IOH de 95, de um máximo de 100), enquanto Honduras tem o pior (IOH de 51).
Alguns países mostraram expansão de acesso a alguns serviços, mas não a outros. A Jamaica, por exemplo, tem o melhor índice em educação, mas tem um índice médio em habitação.
Com relação a oportunidade de acesso a moradia não superlotada, apenas três países latinos estão acima da média europeia --Costa Rica, Chile e Brasil--, enquanto todos os demais aparecem no ranking ao menos cinco pontos abaixo dessa média.
Brasil e México podem oferecer acesso universal a água potável, eletricidade e esgoto durante a próxima década.
Estudo
O documento "Oportunidade Humana na América Latina e no Caribe" foi apresentado hoje na Casa da América, em Madri, na Espanha.
O estudo inclui informações de mais de 200 milhões de crianças em 19 países nos últimos 15 anos, e compara as oportunidades humanas na região com a apresentada em alguns países desenvolvidos.
Segundo o Banco Mundial, são raros os estudos comparativos padronizados e com informações de qualidade sobre América Latina e Caribe. Por isso, esse estudo deve ajudar a desenvolver políticas de redução de pobreza na região.

Notícia encaminhada por Rachel Mello

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