sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Meninos de rua - Meninos em situação de rua

Desde o início da década de 80 o Brasil passou a discutir com mais atenção a situação das crianças e adolescentes que viviam pelas ruas do país. Menor abandonado, marginalizado, pivete, trombadinha... eram as expressões estigmatizantes que se usavam. À medida em que educadores, militantes e movimentos sociais começaram a aproximar-se deles/as observou-se o óbvio: trata-se de meninos e meninas que buscam na rua o que não tiveram na família, na escola , na comunidade. Meninos e meninas de rua, mais que uma expressão virou uma identidade que se organizou num movimento nacional. O movimento nacional de meninos e meninas de rua. De lá pra cá mudou-se a lei, ampliaram-se as políticas sociais, mudaram-se os paradigmas do direito, mas muitos meninos e meninas continuam nas ruas. A tendência recente de problematizar sua denominação, avançando para caracterizá-los como "meninos em situação de rua" pode ser interessante para retomar a discussão, mas como diz meu amigo peruano, Manuel Manrique, que participou da reconceituação do serviço social, trabalhou no Brasil, percorreu a América Latina defendo os direitos da criança pelo UNICEF : "No caso dos que vivem na rua, situação de rua poderia ser um termo que deixa a maioria confortável. Em que outro caso se usa algo semelhante? Se um menino vive em casa com sua família, sem maiores sobressaltos por acaso se diz meninos em situação de família ou meninos em situação de escola? Tenho a impressão que esta tal situação de rua é um termo neutro que não agride, nem pisa nos calos e que a maior parte das pessoas se sente confortável. Agora, o menino que passa pela brutal experiência da rua? Está em uma situação? O que está acontecendo com sua existência pode resumir-se a uma situacão?". Pois é, eu continuo achando que a existência de meninos e meninas de rua é um sintoma do fracasso das políticas públicas. Mudar a forma de denominá-los, no contexto atual, pode implicar em negligenciar uma discussão mais importante: como pressionar o Estado para assegurar os direitos de cada menina e cada menina de rua?

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