segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Genocídio Silencioso e contínuo

Há mais de vinte e cinco anos, as crianças guatemaltecas vêm sofrendo um genocídio silencioso e contínuo. A fome, a desnutrição, a exclusão social, os crimes de lesa humanidade e a impunidade são as principais causas desse massacre desenfreado que está dizimando, sobretudo, meninas e meninos Mayas. Com o intuito de deter esta situação e punir os culpados o Tribunal Internacional sobre a Infância, por meio do seu presidente, o argentino Sergio Tapia, também Promotor Internacional de Direitos Humanos do Tribunal Internacional de Consciência, está apelando à comunidade internacional para que o sofrimento ainda vivido por milhares de pessoas, principalmente mulheres e crianças, chegue ao fim. Já na década de 80, durante os governos genocidas, as crianças eram submetidas a métodos cruéis como fraturas no crânio, esmagamento contra a parede e o ateamento de fogo no corpo quando ainda vivas. Muitas foram queimadas na frente de seus pais. As que não foram assassinadas passaram por vários tipos de torturas e humilhações, como o estupro. Os crimes são atribuídos, principalmente, ao Exército Guatemalteco e às forças de segurança, cerca de 93%. Grande parte continua impune.
A maior parte das vítimas desse sofrimento era e são os Mayas. Cerca de 83% dos que sofreram agressões e foram mortos eram pertencentes a esta etnia. Os 17% restantes eram latinos. Até hoje, os Mayas são dizimados, agora também pela falta de nutrientes e alimentos básicos, segundo Sergio Tapia, crimes de lesa humanidade. Entre as décadas de 80 e 90 também era comum a violação de mulheres e meninas. Um terço das vítimas de abusos sexuais era menor de dezessete anos e 35% só tinham onze anos. As vítimas eram levadas geralmente para escolas e igrejas, onde eram estupradas. Esta perversidade a mais era realizada pelo Exército, pelas forças de segurança e pelos grupos paramilitares, com a cumplicidade e o apoio dos setores empresariais, racistas e escravagistas do país.
Neste mesmo período, cerca de 100 mil a 150 mil crianças ficaram órfãs. O paradeiro destes sobreviventes foi a venda para famílias de outros países. Até mesmo os que ainda tinham parentes eram roubados de suas casas e vendidos. Para não serem barradas, as crianças tinham seus nomes falsificados. Também estes atos são ditos de responsabilidade do Exército Guatemalteco.
Os sequestros, estupros e assassinatos praticados durante a guerra continuam acontecendo e a comunidade segue denunciando, na esperança de ver os atos criminosos cessarem. No entanto, tudo é feito à luz da impunidade e a população, sobretudo, mulheres e crianças continuam a sofrer.

Da ADITAL

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